Enquadramento Geográfico e Socioeconómico
O município de Barrancos, com sede na vila raiana de Barrancos, situa-se no distrito de Beja, região do Alentejo (NUTSII) e sub-região do Baixo Alentejo (NUTSIII). Tem a particularidade de ser um município constituído por uma única freguesia, coincidindo assim os limites administrativos destas duas unidades territoriais.
A sua estreita proximidade com Espanha revela-se na fronteira que os seus limites evidenciam, sendo limitado a norte e a leste pelos municípios espanhóis de Oliva de la Frontera e Valencia del Mombuey (Badajoz) e de Encinasola (Huelva), a sul e oeste pelo município de Moura e a noroeste pelo município de Mourão.
Em termos de acessibilidades, a vila de Barrancos dista cerca de 110 km da capital do distrito, Beja, e sensivelmente o mesmo da cidade de Évora. A capital do País, Lisboa fica a cerca de 250 kms. As localidades portuguesas mais próximas são, Santo Aleixo da Restauração (21 Kms), Amareleja e Safara (aproximadamente 26 km), e Moura a 50 km. Atravessando a fronteira, se a povoação mais próxima, Encinasola, está a 9 kms. Oliva de la Frontera, a 29 km, Fregenal de la Sierra a 32 km e Zafra a 72 km.
O município de Barrancos faz parte da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), uma sub-região que integra um total de 13 municípios (e 83 freguesias) do Baixo Alentejo e que corresponde a cerca de 10,8% do território nacional.
Com uma área de 168,4km2 o município de Barrancos localiza-se na margem esquerda do rio Guadiana e apresenta, em oposição à grande maioria do Alentejo, um relevo acidentado, com algumas áreas de declives acentuados. Destacam-se como pontos mais altos e de onde se tem uma vista privilegiada sobre o seu território, o Cerro do Calvário (377m de altitude), o Alto de São Bento (386m) e a Serra Colorada (390m). O rio Ardila e seus afluentes, as ribeiras de Múrtega e Murtigão, são as principais linhas de água que marcam a paisagem e delimitam uma grande extensão do seu território.
- Contexto Sociodemográfico
Com uma densidade populacional de 8.55hab/km2, o município de Barrancos é o que apresenta menor efetivo populacional de Portugal Continental, com um total de 1440 habitantes segundo os Censos de 2021. É na vila de Barrancos, única localidade do município que se concentra a quase totalidade da população, sinal de contraste entre a predominância da ruralidade com poucas edificações dispersas e onde predominam vastas áreas agro-pastoris, com o núcleo urbano que congrega todos os serviços e equipamentos municipais e espaços residenciais.
Em Barrancos, a dinâmica específica dos mecanismos de crescimento demográfico tem sido marcada pelo sentido e intensidade dos movimentos migratórios, facto que se tem refletido na composição etária do seu efetivo populacional e, consequentemente, na respetiva capacidade endógena de substituição geracional. A negativa variação da população residente revela uma diminuição populacional, devido à sua interioridade e acompanhando a realidade da região do Alentejo. Perde população desde a década de 50 do Séc. XX, contrariando o crescimento até essa década. Entre 1960 e 1981 o município perdeu 37% da sua população. Nas décadas seguintes, apesar da diminuição populacional ter abrandado, a taxa de variação continuou negativa oscilando entre -4.6% e -6.2%.
Para além disso, as suas características demográficas mostram que este município, inserido num território de baixa densidade demográfica, se encontra envelhecido e depauperado em termos populacionais, verificando-se um predomínio da população em idade ativa, entre os 25 e 64 anos de idade, seguindo-se a população com 65 e mais anos. O gráfico seguinte relativo à estrutura etária mostra esta tendência.
Uma análise mais detalhada permite constatar que entre 1900 e 2011, todos os grupos etários, à exceção 65 e mais anos, apresentaram uma tendência de evolução decrescente, o que reflete essa tendência de envelhecimento populacional.
Também, no que diz respeito à atividade económica, Barrancos tem vindo a registar mudanças estruturais muito significativas. Se até à década de 1970 predominavam as atividades do setor primário, empregando quase 70% da população ativa, desde essa época, várias alterações estruturais contribuíram para a contínua redução da mão-de-obra agrícola, nomeadamente baixos rendimentos e más condições de vida, migrações internas e internacionais (que ainda hoje se verificam em menor escala), até o novo modelo de desenvolvimento produtivo e de condições de trabalho após o 25 de abril. A partir de 1990, outras áreas e/ou setores ganharam alguma representatividade: a indústria de transformação de carne de porco preto alentejano, a construção civil, e empresas ligadas aos serviços de restauração, alojamento e bebidas.
Atualmente a atividade agrícola praticamente não existe ou é residual, mantendo-se pequenas hortas, para consumo de família ou subsistência, que estão situadas em torno da vila. Neste território, tem grande peso económico a atividade relacionada com a agropecuária, verificando-se uma empregabilidade significativa no setor secundário, devido à existência de duas unidades de transformação de carnes de porco contribuindo para tal a exclusividade da Denominação de Origem Protegida, do Presunto e da Paleta de Barrancos, protegidos pelo micro clima que o permite.
De modo geral, a principal fonte de emprego é constituída por atividades pertencentes aos setores secundário e terciário, sobretudo este, que emprega mais de 50% da população ativa.

