História
É a sede de um município que tem em Barrancos a sua única freguesia. Aqui vivem atualmente cerca de mil e quinhentos habitantes, um número que tem vindo a decrescer nos últimos anos, como vai acontecendo, aliás, um pouco por todo o interior alentejano.
O território onde se situa a freguesia de Barrancos foi ocupado por diferentes civilizações, vestígios arqueológicos determinam uma ocupação desde o calcolítico. Em 1167 foi conquistada aos Mouros por Gonçalo Mendes da Maia, para o Reino de D. Afonso Henriques. Como consequência da derrota em Badajoz, D. Afonso Henriques foi obrigado a devolver em 1169, a D. Fernando II de Leão (seu genro) toda a região a leste do Guadiana, recuperada mais tarde pelos muçulmanos. Esta luta entre cristãos e muçulmanos arrastou-se por mais de um século.
Mais tarde, após a reconquista de D. Sancho I, processo que não foi pacífico e entre avanços e recuos, em maio de 1253 D. Beatriz, filha de Afonso X (o Sábio), rei de Castela, casa com D. Afonso III de Portugal, casamento esse que funcionou como uma aliança que pôs termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino do Algarve. Mais tarde, e já D. Beatriz viúva, desde 1279, segundo a carta de doação de março de 1283, o rei D. Afonso X, faz doação da região de Noudar/Barrancos, assim como outros castelos e vilas a sua filha, mãe de D. Dinis, sendo já este rei de Portugal.
- Dinis, após ter concedido foral próprio em 1295 (confirmado por D. Manuel I em 1513), promoveu a sua revitalização.
A 25 de Novembro de 1307, com a condição de povoar a vila e construir “um castello de boo muro e… umm Alcaçar forte”, D. Diniz faz a doação de Noudar a D. Frei Lourenço Affonso, Mestre da Ordem Militar de S. Bento de Aviz.
Outros foram os períodos em que a região esteve na posse de Castela. Com o envolvimento de Portugal nas Guerras da Sucessão de Espanha, as tropas do Duque de Osuna em 1707, apoderam-se de Noudar conservando-se em poder de Espanha até à assinatura do Tratado de Utreque (1715).
Aquando da ocupação castelhana, Noudar é votado ao abandono e, entre 1774 e 1835, surge pela primeira vez, a designação de município de Noudar e Barrancos.
Com a reforma administrativa promovida pelo governo liberal de Mouzinho da Silveira, em 1836, Barrancos é elevado à categoria de vila, passando o município a ser denominado somente pelo nome de Barrancos. Pelo decreto n.º 26 de 27/06/1896 é “suprimido o município de Barrancos, sendo anexado ao de Moura”. Contudo, dois anos depois, por Lei de 13 de Janeiro de 1898 foi novamente restaurado o município, com a sede na Vila de Barrancos.
Podemos dizer que no centro de toda esta história está o castelo de Noudar, situado numa elevação de relativa altitude, na parte noroeste da vila de Barrancos, entre a ribeira de Murtiga e o rio Ardila, muito perto da fronteira espanhola, dele restam alguns elementos que permitem vislumbrar a sua antiga grandeza.
A defesa do território nacional, devido à proximidade de Espanha e como forma de prevenção contra possíveis ataques, foi a causa direta da sua construção.
Património material e imaterial
Do património histórico da freguesia, destaca-se obviamente, o castelo de Noudar, de uma beleza extraordinária, situado numa elevação de relativa altitude, na parte noroeste da vila de Barrancos, entre as ribeiras de Murtiga e de Ardila, muito perto da fronteira espanhola, dele restam alguns elementos que permitem vislumbrar a sua antiga grandeza.
A nível económico, destaque-se a multiplicidade de actividades, sobretudo na Vila de Barrancos. Além do sector primário, sempre fundamental para as pessoas da região, destaca-se a indústria de transformação de carne de porco preto alentejano, sendo Barrancos a primeira região de Denominação de Origem Protegida (DOP) do Presunto de Barrancos, primeiro, e mais tarde, da Paleta. Ainda uma palavra para a pecuária, para a criação de gado da raça mertolenga e para o fabrico tradicional de enchidos e derivados do porco, onde se incluem, peças nobres e muito procuradas como o catalão, o salsichão, etc…..
Digna de registo, também, é a força do movimento associativo nesta freguesia. As colectividades animam o dia-a-dia da população local. Um destaque perfeitamente merecido, dada a importância sociocultural que desempenham para as gentes da terra. Uma população que trabalha na lufa-lufa da sua profissão, muitas vezes fora do município, dedica-se de forma extraordinária ao seu orgulho, e considera-o o seu “mais-que-tudo”. Revê-se nos seus êxitos e chora com as suas derrotas. Considera-se parte integrante do clube, da banda, da sociedade, porque para eles contribui, sempre, e como pode. E às vezes quando não pode.
Os clubes, as associações, as escolas e outros centros são focos de cultura, que unificam as pessoas em torno de um ideal. Merecem pois o destaque devido, pelo muito que já deram em prol do seu povo.
Ana Barbosa e Leonor Briz, em “Viagens na Nossa Terra”, descrevem a sua visita por Barrancos: “Siga para Barrancos: nos primeiros quilómetros, domina o verde dos pinheiros-mansos e eucaliptos; terminada a plantação, começa o inóspito reino do porco preto; em visão fugaz, há-de surgir a longínqua vila, brancamente disposta em dois cabeços.
Logo à entrada, um tentador sinal da tradição em progresso: a Casa do Porco Preto, onde se vendem deliciosos enchidos e um excelente presunto a que chamam “pata preta” (ou melhor, Presunto de Barrancos DOP).
Na vila, o melhor a fazer é descobri-la por conta própria: nada substitui o prazer de ouvir falar os Barranquenhos e apreciar em directo o seu jeito animado de ser, que se exprime em festas como as de Agosto ou as de Dezembro, quando a grande pira de lenha, acumulada por todos desde o dia 8, se ateia na véspera do Natal para aquecer o Menino Jesus.
No Posto de Turismo, encontra informações detalhadas sobre o artesanato local e a gastronomia. Desça a povoação pelas ruas do casario térreo, entre na estrada internacional e espreite as pedreiras de xisto, perto da fronteira. (…)

